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O tarumã





Em minha última coluna, antes de viajar em pesquisa e estudo para Aruba e obviamente fazer o esforço de me banhar naquelas águas que variam entre verde e turquesa , falei sobre o tarumã, e afirmei que seria tema de uma próxima coluna... pois bem, eis-me aqui.


Tarumã é uma fruta e seu nome vem do tupi guarani e significa “fruta escura”, muito semelhante a uma azeitona preta (madura).


Minha primeira lembrança desta fruta, que no final me fez rejeitar azeitonas por longos anos – as quais voltei a amar - ocorreu na cidade de Pedro Gomes, lá no meu estado de nascimento o Mato Grosso do Sul.


Desde pequeno eu era encantado por sabores, mesas postas, pedras preciosas e tesouros escondidos... ouvia muitas histórias, principalmente de minhas avós sobre as “botijas de ouro” enterradas e sonhava em encontra-las cheias de “bérolas do mar” (modo que eu quando pequeno pronunciava pérolas).


Pedro Gomes, a cidade em que morei logo quando meus pais foram transferidos de Campo Grande, era uma cidadezinha pequena, minha mãe a “gerente do Banco do Brasil” e portanto à época uma autoridade. Me recordo de muitas pessoas, embora tivesse menos de 5 anos e me encantava um casal de idosos, cujos nomes não me recordo, mas o senhor era pescador e havia sido garimpeiro e me contava fascinantes histórias sobre diamantes que havia encontrado e dos enormes peixes que engoliam pessoas no rio Coxim, que ficava ali pertinho e indicou à meu pai, os melhores lugares de pesca, onde não haviam os “temidos peixes gigantes” de suas histórias.


Meu pai era um garotão, afinal nossa diferença de idade é menos de 20 anos e juntos fomos pescar. Lembro perfeitamente da paisagem com uma grande árvore próximo ao riacho, onde pescamos muitos lambaris. Na ocasião, meu pai havia levado um vidro de azeitonas para comermos (eu as adorava), mas pelo tempo que ficamos, acabaram logo.


No caminho de volta, quase à beira da estradinha de terra uma imensa arvore, - eu reclamando de fome- e ao certo não sei se foi brincadeira (meu pai e toda minha família paterna é muito brincalhona e debochada) ou uma tentativa de me ludibriar – nunca perguntei- mas meu pai foi até a arvore e voltou com as mãos cheias do que disse ser “azeitonas pretas”.



Árvore de tarumã



Enquanto escrevo esta memória, o cheiro que exalou quando mordi invade meu olfato e garanto, não é nada agradável, pelo menos para mim.


Mas ao final de tudo, ficou uma bela lembrança, de um dia feliz com meu pai e um fato que nos faz rir até hoje. Por sua vez, acho que ele nem sabe, mas não mentiu quando disse ser azeitona, pois descobri que “tarumã” também é conhecida como “azeitona do mato”.



Por David Valdez Faria