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Maria Isabel de Bragança: A rainha que morreu duas vezes



Maria Isabel apontando o prédio que no futuro se tornaria o Museu do Prado, em Retrato de Vicente López Portaña



Dona Maria Isabel de Bragança foi uma figura singular da história da aristocracia mundial. Ligada às casas de Bragança e Bourbon, provenientes, respectivamente, da herança paterna, com Dom João VI, e materna, com Dona Carlota Joaquina. Famosa por ser irmã de Dom Pedro I do Brasil, ela não teve grande participação na política brasileira, tendo, contudo, relevância na corte espanhola.


Nascida no palácio imperial português em Queluz, aos 10 anos passou por sua primeira conturbação política quando a França invadiu a Península Ibérica. Diante do episódio, o Rei Dom João VI articuladamente com a Inglaterra conseguiu a fuga da Família Real para o Brasil. Atravessou o Atlântico com toda Corte e chegou ao Rio de Janeiro pouco mais de um mês antes de seu aniversário, passando a viver no Palácio de São Cristóvão.


O enfraquecimento de Napoleão Bonaparte e a consequente reestruturação das monarquias ibéricas representaram a oportunidade perfeita para a rearticulação entre Portugal e Espanha, dando origem ao casamento de Maria Isabel e sua irmã, Maria Francisca, com membros da corte espanhola, que voltara ao poder em 1813. Como consequência, em 1816, Isabel casou com o rei Fernando VII de Bourbon (seu tio – irmão de sua mãe), em Madrid.


Maria Isabel era uma entusiasta da arte e erudita. Se encaixava perfeitamente entre os membros mais liberais da corte espanhola. Envolveu-se com relevantes grupos de apreciadores de pinturas e poesias, sempre relatando um sonho de criar um grande acervo com as obras pertencentes aos reis espanhóis (o que deu origem ao mundialmente famoso Museu do Prado).



Frente atual do fantástico Museu do Prado



Embora tenha concebido duas filhas, Maria Isabel não conseguiu criar herdeiros ou herdeiras para o trono espanhol. Sua primeira filha faleceu prematuramente e a segunda gestação repleta de complicações resultou em sua morte quando durante o parto, pensando que Maria Isabel havia falecido em razão de uma parada respiratória os médicos da corte realizaram uma cesariana ás pressas, o que resultou em uma atroz retaliação da região do abdômen da rainha que, na verdade, não estava morta. Quando os médicos começaram os cortes profundos e pouco preocupados, para extraírem a criança, Maria Isabel começou a gritar de dor, se contorcendo. Seu ventre sangrava e ela caiu da cama, com uma hemorragia que se espalhava pelo chão do quarto.


As retaliações cirúrgicas feitas pelos médicos levaram Maria Isabel à morte, num acidente procedimental invasivo e extremamente doloroso. O desastre da cesariana chocou a corte espanhola, que perdeu dois membros (a rainha e sua filha) de uma vez.


Diante do primeiro diagnóstico de morte, que levou à verdadeira logo depois, Maria Isabel é conhecida na memória dos espanhóis como “a rainha que morreu duas vezes”, porem seu maior legado foi o início da esplendida coleção de arte espanhola, pelo que ouso alterar o título deste artigo, com toda admiração e reverência para “Maria Isabel: A rainha do Prado”, onde encontra-se um dos quadros mais espetaculares que considero: “O Jardim das delícias terrenas” um tríptico de Hieronymus Bosch em óleo sobre madeira de 1504.



"O jardim das delícias terrenas" exposto no museu do Prado





Você sabia?


O Vinho do Porto é uma das bebidas mais conhecidas e apreciadas do mundo. Tem o nome da cidade portuguesa do “Porto”, mas é produzido ao longo do Rio Douro, na zona apelidada de Douro Vinhateiro, onde se encontram as vinhas, adegas e lagares. Depois de produzido o “vinho do Porto” é levado para Vila Nova de Gaia para envelhecer e de lá ser enviado para os quatro cantos do mundo.


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