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Mulheres Inconfidentes


Hipólita Jacinta Teixeira de Melo



A Inconfidência Mineira, também conhecida como Conjuração Mineira, foi um movimento separatista que aconteceu em Minas Gerais no ano de 1789. O principal objetivo era obter a independência de Minas em relação a Portugal com o lema “Liberdade, ainda que tardia”.


Podemos perceber que a Inconfidência Mineira não foi um movimento somente dos homens. Ela foi também dessas grandes mulheres: Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, Maria Doroteia Joaquina de Seixas e Hipólita Jacinta Teixeira de Melo.



Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira



Dona Hipólita, como era chamada, nasceu no arraial de Prados, em Minas Gerais, em 1748. Era filha de Clara Maria de Melo e Pedro Teixeira de Carvalho, rico minerador e capitão-mor da Vila de São José, atual cidade de Tiradentes, de quem herdou fortuna inclusive a fazenda chamada “Da Ponta do Morro”, onde morava, entre São José e Prados.


Na Fazenda da Ponta do Morro, onde Hipólita morava com o marido, foram feitas várias reuniões dos inconfidentes. Ele conheceu Tiradentes em razão de terem “assentado praça juntos” (expressão curiosa). O alferes Joaquim José da Silva Xavier e Francisco Antônio serviram no Regimento dos Dragões de Minas, na então Vila Rica, hoje Ouro Preto.


Narra a história, que o inconfidente, único negro, Vitoriano Gonçalves Veloso, que nomeia a Comunidade de Bichinho, em Prados, teria saído da fazenda Ponta do Morro portando um bilhete escrito por Hipólita Jacinta, ao Padre Carlos Corrêa de Toledo e Mello, Vigário da Comarca do Rio das Mortes e destinado aos Conjurados Mineiros, alertando-os sobre a ação do Governo que terminou com a prisão, degredo ou morte dos inconfidentes.


Bilhetes e cartas são citados como sendo de sua autoria sempre preocupada em fazer circular acontecimentos importantes para a segurança de todos, alertando os envolvidos sobre a delação do traidor Joaquim Silvério dos Reis (um sobrinho por afinidade de Francisco Antônio) e a prisão de Tiradentes ou procurando organizar uma estratégia para a continuidade do movimento.


Ela tentou impedir que o marido se tornasse um delator e destruiu documentos comprometedores para os revoltosos. Como era rica, teria financiado ações do movimento,

demonstrando, assim, uma personalidade destemida e generosa. Em um desses bilhetes, escreve Hipólita: “Dou-vos parte, com certeza, de que se acham presos, no Rio de Janeiro, Joaquim Silvério dos Reis e o alferes Tiradentes, para que vos sirva ou se ponham em cautela; e quem não é capaz para as coisas, não se meta nelas; e mais vale morrer com honra que viver com desonra”.





Consta, também, que no ano de 1929 a sede da fazenda foi demolida e de lá foram levados todos os bens históricos e a própria estrutura física, como madeiramento e outros, que ornavam o belo casarão.


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