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Mútua Recognição - a arte de Joanna Scharlé

Foto do escritor: espaco horizonte
espaco horizonte
há 19 horas
6 min de leitura
Mútua Recognição leva a arte de Joanna Scharlé
Joanna Scharlé - Foto de Ton Nettos

Mútua Recognição leva a arte de Joanna Scharlé à Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais



Exposição da artista brasileira-luxemburguesa ocupa a passarela cultural durante o mês de outubro e reúne arte, identidade, memória e intercâmbio cultural



A arte contemporânea ganha um espaço especial na programação cultural de Belo Horizonte durante todo o mês de outubro. A Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais recebe, de 1º a 31 de outubro de 2026, a exposição “Mútua Recognição”, da artista plástica brasileira-luxemburguesa Joanna Scharlé de Vasconcelos, conhecida artisticamente como Scharlé.


A mostra chega à capital mineira depois de ter sido apresentada na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife, em uma vernissage que teve a curadoria de Antônio Moura, gerente da instituição pernambucana. A exposição marcou um importante momento de aproximação cultural entre a artista, Minas Gerais, Pernambuco e Luxemburgo.


Nossa especial homenagem também ao músico luxemburguês, Radu Pantea e ao escritor Pierre Richard Gerisma, pela iniciativa e participação na mesma exposição em Pernambuco, contribuindo com legados artísticos e culturais.


Antônio Moura, Gerente da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife
Antônio Moura, Gerente da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife

E a ligação construída em Recife ganha agora um capítulo especial em Belo Horizonte: Antônio Moura estará presente na capital mineira especialmente para prestigiar a exposição de Joanna Scharlé.


Sua presença representa mais do que uma visita de cortesia. É a continuidade de um diálogo cultural iniciado em Pernambuco e que agora se estende a Minas Gerais, fortalecendo a circulação da produção artística de Joanna e a aproximação entre instituições públicas dedicadas à cultura.


Mútua Recognição, na Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
Mútua Recognição, na Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

Uma ponte cultural entre Pernambuco e Minas Gerais


Ao receber “Mútua Recognição” em Recife, Antônio Moura destacou a força da produção de Joanna Scharlé e a satisfação de a Biblioteca Pública de Pernambuco acolher a exposição.


Na ocasião, o gerente e curador descreveu a produção da artista como uma obra marcada por diferentes camadas psicológicas e filosóficas, capazes de provocar no espectador uma espécie de encontro consigo mesmo. A mostra foi apresentada como uma experiência de reflexão por meio da estética e da subjetividade contemporânea.

A presença de Moura em Belo Horizonte dá continuidade a esse percurso.


É, também, um gesto de reconhecimento à artista e à importância da circulação das artes entre diferentes espaços culturais brasileiros.

A Biblioteca Pública de Pernambuco, instituição histórica criada em 1852, tem em Antônio Moura um dos responsáveis pela condução de suas atuais ações culturais e pela valorização de parcerias e iniciativas que aproximam o público da arte, da literatura e da memória.



Joanna Scharlé: uma trajetória marcada pelo diálogo entre culturas
Joanna Scharlé de Vasconcelos

Joanna Scharlé: uma trajetória marcada pelo diálogo entre culturas


Artista plástica brasileira e luxemburguesa, Joanna Scharlé de Vasconcelos construiu uma trajetória artística marcada pela diversidade de linguagens e por uma formação internacional.


Seu percurso inclui experiências e estudos na Inglaterra, Suíça e Estados Unidos, além de pós-graduação em Artes Plásticas e Contemporaneidade pela Escola Guignard.


Desde muito jovem, Joanna se aproximou de diferentes formas de expressão artística, passando pelo teatro, fotografia, canto, desenho, escultura e pintura. Essa multiplicidade de experiências contribuiu para a construção de uma linguagem própria, na qual a figura humana, os sentimentos, os conflitos interiores e a subjetividade ocupam lugar central.


Em suas obras, a artista trabalha com pintura a óleo, desenho em nanquim e escultura, explorando especialmente rostos, olhares e formas humanas que muitas vezes aparecem distorcidos ou fragmentados.


Mútua Recognição, na Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
Mútua Recognição, na Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

Sua produção dialoga com referências do expressionismo, cubismo e surrealismo, estabelecendo aproximações com artistas e escritores como Guignard, Pablo Picasso, Georges Braque e Murilo Rubião.


Mais do que reproduzir a realidade, Joanna busca revelar aquilo que existe por trás dela.

Seus personagens parecem carregar sentimentos, inquietações, memórias e estados de espírito que convidam o público a olhar para além da superfície.


O significado de “Mútua Recognição”


O próprio título da exposição é revelador.

“Mútua Recognição” sugere um encontro de olhares: o olhar da artista sobre o mundo e o olhar do público diante da obra.

É nesse espaço de encontro que a exposição se constrói.


Cada pintura, desenho ou escultura pode ser compreendido como uma possibilidade de reconhecimento — da figura humana, das emoções, das diferenças, das experiências e, principalmente, de nós mesmos.


A obra de Joanna não entrega necessariamente respostas. Ela provoca perguntas.


Os rostos, os gestos, as deformações e os contrastes presentes em sua produção criam uma atmosfera que permite ao visitante estabelecer sua própria relação com aquilo que vê.

É justamente nessa liberdade de interpretação que reside parte da força de sua produção.


A biblioteca como espaço de arte e encontro


A escolha da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais para receber a exposição também possui um significado especial.


Criada em 1954, durante o governo de Juscelino Kubitschek, a instituição integra o Circuito Liberdade e ocupa um lugar de destaque na vida cultural de Belo Horizonte. Seu prédio-sede, na Praça da Liberdade, foi projetado por Oscar Niemeyer, e o complexo possui importante acervo bibliográfico, além de espaços destinados a exposições e outras atividades culturais.


A Passarela Cultural, localizada no prédio Anexo Professor Francisco Iglesias, é justamente um desses espaços destinados à apresentação e divulgação de trabalhos de artistas e escritores. A própria Biblioteca define o local como um espaço singular e alternativo para a divulgação de manifestações artísticas e culturais.


Assim, “Mútua Recognição” estabelece uma conversa muito particular entre arte e conhecimento, imagem e palavra, memória e contemporaneidade.


Joanna Scharlé na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
Joanna Scharlé na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais


A Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, recebe a exposição e contribui para que a produção de Joanna Scharlé encontre um novo público na capital mineira, reforçando o papel da Biblioteca como equipamento cultural aberto às diferentes manifestações artísticas.


A instituição tem entre suas atribuições justamente a democratização do acesso à informação, à literatura, à leitura e à cultura, mantendo também galerias e espaços destinados a exposições, encontros e outras atividades culturais.


Nesse contexto, receber a obra de Joanna Scharlé significa ampliar o diálogo da Biblioteca com a arte contemporânea e proporcionar ao público a oportunidade de conhecer uma produção que transita entre diferentes culturas e referências.



Um encontro especial em Belo Horizonte


A presença de Antônio Moura durante a exposição acrescenta um capítulo afetivo e institucional à história de “Mútua Recognição”.


Depois de receber Joanna em Recife e acompanhar a realização da vernissage pernambucana, o gerente da Biblioteca Pública de Pernambuco desloca-se agora até Belo Horizonte especialmente para prestigiar a mostra.


O gesto evidencia como a arte é capaz de criar pontes que ultrapassam fronteiras geográficas e institucionais.


De Pernambuco a Minas Gerais, passando pelas referências brasileiras e luxemburguesas presentes na trajetória de Joanna Scharlé, a exposição se transforma em um encontro de culturas.


E talvez seja justamente aí que esteja a essência de “Mútua Recognição”: reconhecer o outro por meio da arte e, nesse encontro, também reconhecer um pouco de nós mesmos.



Serviço

Exposição “Mútua Recognição” – Joanna Scharlé

Período: 1º a 31 de outubro de 2026

Local: Passarela Cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

Cidade: Belo Horizonte – MG


A mostra integra a programação cultural da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, instituição que faz parte do Circuito Liberdade e mantém a Passarela Cultural como espaço de divulgação das artes e da cultura.



Texto abaixo de Jorge Carlos Borges de Souza

( Presidente do Conselho Empresarial de Cultura)


A mostra Mútua Recognição, da artista plástica brasileira-luxemburguesa Joanna Scharlé de Vasconcelos, apresenta situações em que o reconhecimento se estabelece de forma bilateral e, por vezes, multilateral, em que todos os lados se reconhecem e, simultaneamente, se questionam.


Nesta montagem, a passarela da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais transforma-se em travessia, um percurso simbólico que conduz o observador por diferentes camadas de reconhecimento.


A disposição das obras — móveis escultóricos, faixa-guia e pinturas presentes na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais transforma-se em travessia, um percurso simbólico que conduz o observador por diferentes camadas de reconhecimento.


A mostra assume um tom sofisticado, em diálogo com a filosofia, a psicologia e a estética contemporânea, instigando no observador uma leitura múltipla: reconhecer-se no outro, experimentar o jogo de espelhos, vivenciar um reconhecimento imperfeito, fragmentado e, ao mesmo tempo, coletivo.


Trata-se de uma experiência pictórica que se insere no universo psíquico, território recorrente na obra de Scharlé, sem recorrer ao literal ou ao óbvio.


Mútua Recognição constitui, assim, um recorte conceitual e refinado da produção da artista, conduzindo-nos sempre a uma interpretação filosófica da arte.


A observação atenta das obras revela camadas poéticas e sensíveis do espírito sem perder densidade, convidando-nos a uma cumplicidade estética com a artista - cumplicidade essa que se traduz em impregnações recíprocas, em recognições mútuas que se desdobram ao longo da travessia.


Fotos - Ton Nettos




Matéria de Sandrinha Coelho

Jornalista | Jornal Horizonte

Associada à Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Abrajet


Jornal Horizonte – Cultura, Arte, Turismo, Gastronomia e os encontros que transformam...

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