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I Encontro da Casa dos Açores-MG em Andrelândia

  • Foto do escritor: espaco horizonte
    espaco horizonte
  • há 15 minutos
  • 4 min de leitura
I Encontro da Casa dos Açores-MG em Andrelândia
Bandeira do Divino Espírito Santo, introduzida no recinto por Roberto Correia, Márcia F. G. Correia e Luciana Motta.

I Encontro da Casa dos Açores-MG em Andrelândia e o retorno da imigração açoriana às origens


O I Encontro da Casa dos Açores de Minas Gerais, nos dias 28/02 e 01/03, em Andrelândia, foi repleto de simbolismos. A começar pelo hino nacional tocado pelo violeiro Chico Almeida e, a seguir, o hino de Portugal tocado pelo acordeonista Lucas Soares Nogueira.


Com cerca de 130 pessoas no auditório do antigo cinema, que será reinaugurado em breve, o evento começou sob as bênçãos do Divino Espírito Santo, celebrado e vivido pelos açorianos desde o início da sua colonização, fortalecendo a identidade das nove ilhas e da diáspora (inclusive a brasileira e a mineira, em particular).


Também foi anunciada a criação da Rota açoriana de Minas Gerais e foi assinado o termo de criação da Representação Institucional da Casa dos Açores no Sul de Minas, Zona da Mata e Campo das Vertentes.


Sob as bençãos do Divino Espírito Santo (ver foto), identidade açoriana, foi aberto o evento. A mesa dos trabalhos foi formada por Francisco Reginaldo Nogueira, prefeito municipal; Ligia de Lourdes G. L. Miron, presidente da Câmara Municipal; Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores-MG; Roberto de Melo Correia, vice-presidente da Casa dos Açores-SP; ex-prefeito Valter Otacílio Silva Junior, representante regional da Casa dos Açores-MG; Teresa Lemos, presidente da FECITUR (Federação das Instâncias de Governança Regional de Minas Gerais); e Márcio Muniz Fernandes, presidente executivo do Circuito Montanhas Mágicas da Mantiqueira, entre outras autoridades. 


Na abertura, o prefeito Francisco Nogueira, disse que cultivar as origens, referindo-se aos Açores, é condição para o desenvolvimento econômico e tecnológico. No decorrer do encontro, o ex-prefeito Valter Otacílio Silva Junior apresentou um histórico da imigração de açorianos em Minas Gerais, com destaque para o fundador de Andrelândia, o fazendeiro André da Silveira, da ilha do Faial.


Em sua intervenção, Claudio Motta observou que Andrelândia é a única cidade da região fundada por um açoriano, de que se tem conhecimento. Mas que sua presença em Minas não foi isolada. “Em 1723, chegaram ao Brasil as chamadas ´Três Ilhoas´, também naturais do Faial, que se estabeleceram na região de São João del-Rei. Suas descendências espalharam-se por Minas, São Paulo, Goiás e Centro-Oeste.” O que revela que “o Sul de Minas foi profundamente moldado por famílias açorianas”.


Daí porque é importante a conecção da região (Campo das Vertentes, Sul de Minas e Zona da Mata) com os Açores. Motta lembrou que, até bem pouco tempo, havia o mínimo conhecimento da presença açoriana em Minas Gerais. Acrescentou que há cerca de oito milhões de açorianos espalhados pelo mundo com quem devíamos conectar, pois muitos gostariam de conhecer o Brasil, sobretudo a região mineira onde está enraizada a colonização açoriana.


Por isso, Motta enfatizou que a Rota açoriana de Minas Gerais, cuja patente já foi registrada, terá um papel essencial na construção verdadeira de valores, a partir da história da imigração açoriana; e em especial da chegada das três ilhoas açorianas à antiga Comarca de São João del-Rei, responsáveis por famílias importantes como Resende, Andrade, Carvalho, e Meireles, e agora dos 300 anos de casamento (em Prados) de uma delas, Helena Maria de Jesus, com o também açoriano João de Resende Costa, a serem comemorados este ano no 26º Reszendão em Lagoa Dourada.


Assim, Motta considera que este é o momento de os empresários da região fazerem arranjos produtivos locais que integrem as rotas turísticas com a especialidade de cada município. E fez um apelo para que aproveitem a porta para o mundo que é a Região Autônoma dos Açores nos abre. “A sede de conhecimento e a visão empreendedora estão no sangue do açoriano.” Assim, “temos de pegar nossa bandeira e nos integrar às nove ilhas dos Açores. Não podemos perder este trem, este comboio!”


Com a criação da Representação Institucional da Casa dos Açores no Sul de Minas, Zona da Mata e Campo das Vertentes, foi indicado o nome do ex-prefeito Valter Otacílio Silva Junior, o Valtinho.


Projeto inovador

No painel “Desenvolvimento e Cooperação”, a empresa Maya WTE & EKT, representada por seu diretor, Ronaldo Roitberg Ferman Campolina, apresentou para Andrelândia um projeto de bioeconomia baseado na valorização de resíduos locais. A proposta é aproveitar resíduos da pecuária leiteira, da produção de frutas vermelhas e da criação de abelhas sem ferrão para desenvolver insumos biotecnológicos, como probióticos de alta qualidade.


O projeto também prevê uma cooperação com os Açores, em Portugal - uma das principais regiões produtoras de leite da Europa -, criando uma ponte entre produção agrícola sustentável, reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de novos produtos de valor agregado. A iniciativa integra o chamado “Projeto Açores – Solução Integrada”, que conecta agricultura regenerativa, valorização de resíduos e produção alimentar sustentável, com potencial impacto na cadeia de nutracêuticos, merenda escolar e segurança alimentar.


Segundo os idealizadores, a proposta busca transformar resíduos em oportunidade econômica, fortalecendo a bioeconomia local e ampliando conexões internacionais.


Reunião empresarial

Na parte da tarde, os empresários ouviram especialistas apresentaram linhas de crédito disponíveis para laticínios, empresas do agronegócio e produtores rurais (BDMG); apoio aos laticínios no acesso a tecnologias e práticas inovadoras (InvestMinas); políticas públicas para o setor lácteo e mercado português (Emater Regional de São João del-Rei) e financiamento para inovações tecnológicas visando à maior produtividade e à melhoria na gestão (Sicoob Centro Sul Mineiro).


No domingo (1º de março), foi realizada uma visita à Fazenda das Bicas, um marco vivo da fundação de Andrelândia. A fazenda foi construída por André da Silveira, o pioneiro açoriano no município e entorno. 

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