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Yara Tupinambá nos fala de Damasceno e Dionísio, artistas primitivos em exposição na Errol Flynn




Estive com Yara Tupynambá, um prazer cultural conversar com ela sobre todos os assuntos que envolvem a arte.


E ela, como nossa grande mestre, me indicou uma exposição na Galeria Errol Flynn sobre dois artistas primitivos, Damasceno e Antônio Dionísio da Cruz. Uma mostra repleta de sensibilidade e criatividade.


Aproveitando a oportunidade, fiz uma pequena entrevista com a nossa querida Yara Tupynambá, sobre estes dois artistas e sobre a pintura primitiva.


JEH - O que é primitivo em pintura?


Yara Tupynambá - "A pintura é sempre erudita, levando em conta que você tem vários fatores estéticos, como composição, espaço, linha, forma, equilíbrio. Então tudo isto entra no julgamento atrás da forma.

O primitivo não tem conhecimento destas coisas, porque é um conhecimento específico, o modo de pintura.

Mas ele tem a coisa mais importante, que são duas qualidades da pintura: a criatividade e a sensibilidade. O pintor primitivo, não tem uma formação erudita, não tem o conhecimento do erudito, do que é uma composição, uma linha de ouro, ele não sabe estas coisas.

Mas ele tem uma espontaneidade que faz da sua pintura uma das coisas mais bonitas que nós temos.

No Brasil, temos muito pintores primitivos.

Significa que são pessoas que normalmente saem de um meio muito simples e aí vão refletir exatamente o seu conceito do que é aquela vida."


JEH - O que estes artistas eles focalizam em suas pinturas?


Yara Tupynambá - "Damasceno representa muita cena de carnaval, muita cena de imaginação, de formações que ele teve através de imagens assistidas na televisão, de revistas, das festas de carnaval. Então, não é só aquilo que ele viu, ele imaginou as cenas e fantasiou o seu modo de ser especificamente em torno disto.


O Dionísio já focou mais as cenas reais em torno dele. Sua casa, as pessoas do entorno. Normalmente, os primitivos gostam de falar da própria arte popular, ou seja, das procissões, dos encontros, das festas religiosas, das festas típicas. São como se fossem arautos da sua própria condição social.


Focam o dia a dia com muita referência à própria cultura popular. A pintura primitiva é muito detalhada, muito bem desenhada com riqueza de detalhes.

A exposição destes dois artistas primitivos, na Errol Flynn Galeria de ;Arte é o lado popular da cultura. Não precisa ser tão erudito para entender o sentido de arte.


Ali são pessoas muito simples que, no entanto, tiveram a sensibilidade com a forma, com o olhar, com a beleza com a cor. São pessoas que vieram de um meio normal, que trabalhavam o dia inteiro como trabalhador e à noite iam pintar o seu quadro, no seu modo de ver a vida, para ser feliz.


Na Errol Flynn Galeria de Arte, estamos no momento, até o dia 03 de setembro de 2022, com a exposição destes dois grandes artistas primitivos, ambos de Belo Horizonte e já falecidos, Damasceno e Dionísio e que vale muito a pena visitar."



Agradeço sempre às boas conversas e ótimas dicas de nossa grande pintora mineira, Yara Tupynambá.


E agora, conheçam um pouquinho das obras destes dois artistas e convido a todos para visitar a Errol Flynn Galeria de Arte, onde os quadros estão expostos e à venda.




Antônio Dionísio da Cruz


Nascido em Pitangui, MG, em 27 de julho de 1937, Antônio Dionísio da Cruz, chamado de Dionísio e, mais especificamente como Tio Tonho, no mundo da arte, é um expoente do folclore mineiro, tema principal de suas telas, caracterizadas pelo detalhismo com que mostra, geralmente em planos bem amplos, festividades como congadas e procissões.






























Damasceno


Damasceno nasceu em Belo Horizonte, em 1947 e faleceu em 2019. A característica das obras de Damasceno é a alegria, que ele expressava nas cores e no traço simples do dia a dia retratado.


Sua descoberta para a arte se deu na adolescência, após conhecer e trabalhar com a artista Marlene Trindade. Embora Marlene o estimulasse, somente em 1974 Damasceno criou coragem de expor seus trabalhos, incentivado por Palhano Junior, Diretor Social e Cultural do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte.

Iniciava-se então, uma das mais prósperas e férteis carreiras de um artista plástico, com sucessivas exposições individuais e coletivas além de inúmeras premiações e menções honrosas.


































Errol Flynn Galeria de Arte

Rua Curitiba, 1862

Lourdes

Belo Horizonte


Matéria de Sandrinha Coelho para o Jornal @espacohorizonte






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