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Museu da Inconfidência





Localizado no que hoje conhecemos como Praça Tiradentes, na cidade de Ouro Preto, um prédio imponente, belo e de traços fortes, a Casa da Câmara e Cadeia de Villa Rica.


Sua construção se iniciou em 1785, seus traços foram feitos pelo então Capitão General (Governador) Luís da Cunha de Meneses, o eterno fanfarrão Minésio, personagem das cartas chilenas escritas por Tomás Antônio Gonzaga.


Durante sua construção, terríveis atrocidades foram cometidas, inclusive Gonzaga as denuncia em versos nas cartas chilenas, para ser mais preciso na terceira carta:


“Muitos pretos já livres e outros homens,

Da raça do país e da europeia,

Que, diz ao grande chefe, são vadios,

Que perturbam dos povos o sossego”.


Mas Cunha de Menezes o fanfarrão Minérsio não veria sua obra ser concluída, nem mesmo neste plano, pois ele faleceu em 1819 e a construção terminou somente em 1846.


Serviu como prédio de Cadeia e Câmara sendo instalada em 1836, mas ainda teriam que conviver com mais dez anos de obras, pois o acabamento ainda estava sendo realizado


Seu frontispício possivelmente foi inspirado no Capitólio de Roma, tem um grande bloco maciço em pedra, dominado por uma torre central provida de sino, um frontão triangular e uma alta platibanda com balaustrada que oculta a cobertura. Nos quatro cantos desta última elevam‐se figuras de pedra‐sabão representando as virtudes cardeais - Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza.


A construção do edifício foi acompanhada pela regularização da atual Praça Tiradentes, tendo sido demolidas diversas casas que obstruíam a perspectiva do edifício.


Em 1938, o prédio foi doado ao governo federal para ser transformado em Museu da Inconfidência.


Foi inaugurado em 1944. No dia 21 de abril de 1942 inaugurou‐se o Panteão, para onde foram transferidos os despojos dos inconfidentes mortos no exílio da África e repatriados em 1936, por iniciativa do governo de Getúlio Vargas.


Apesar de ter sua construção atribulada, ter recebido em suas celas alguns conjurados mineiros, hoje, é símbolo de liberdade, arte, cultura e civismo.


Suas salas que outrora se enchiam de presos e políticos, hoje ostentam a mais bela arte, com imagens do Mestre Antônio Francisco Lisboa, com pinturas do Mestre Athayde, com ornamentos das mais diversas formas, que contam a história de Minas Gerais e de nosso povo.


O Museu da Inconfidência é uma fonte, em que seus visitantes bebem do mais puro do saber.


Nele se encontra o Panteão dos Inconfidentes, local em que descansam juntos, os irmãos conjurados de 1789, faltando apenas um, que teve seu corpo espalhado pelas estradas reais.


No Panteão, os membros do Priorado dos Inconfidentes são iniciados, fazem suas juras perante os conjurados mineiros com a proteção da Santíssima Trindade.


E que Deus guarde Vossa Mercê, por muitos e muitos anos.



Texto Comendador Gladstone Lopes

Grão Prior

Priorado dos Inconfidentes


Imagem de capa: Nanquim da artista plástica Joanna Scharlé