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Cláudio Manuel da Costa




Cláudio Manuel da Costa, advogado, magistrado e poeta, nasceu na Vila do Ribeirão do Carmo, hoje Mariana, MG, em 5 de junho de 1729, e faleceu em Ouro Preto, MG, a 4 de julho de 1789.


Nos “Apontamentos” enviados em 3 de novembro de 1759 ao Dr. João Borges de Barros, censor da Academia Brasílica dos Renascidos, da qual havia sido eleito sócio correspondente, e que se destinavam ao “Catálogo dos Acadêmicos”, diz ele que, “de 1753 a 1754”, voltou a Vila Rica, onde viveu o resto da vida como advogado e minerador.


Foi secretário de Governo da província de Minas Gerais de 1769 a 1773, foi juiz de medição de terras da Câmara de Villa Rica. Fundador da Arcádia Colônia Ultramarina instalada em 4 de setembro de 1768. Adotou o nome arcádico de Glauceste Satúrnico, sendo ele um dos percussores do arcadismo no Brasil.


Em 1773 compôs o poema Villa Rica.


Continuou a escrever seus poemas, neles demonstrava sua preocupação com os problemas sociais e políticos da época.


Foi um dos primeiro a receber em solo mineiro Tomás Antônio Gonzaga, novo Ouvidor dos Defuntos e Ausentes de Villa Rica, se tornariam amigos inseparáveis, compondo juntos poesias, saraus e entre as principais composições desta amizade podemos citar as famosas cartas chilenas, cartas estas que em sua época eram pólvora, que incitavam a ira dos que nelas eram citados, porém na época não conseguiram ligar a sua figura e a de Tomás as cartas.


Fora ele um dos intelectuais do movimento da conjuração de 1789, a conhecida inconfidência mineira.


Seu papel, ao lado de Tomás Antônio Gonzaga era o de escrever a nova constituição que iria reger a “nova república conjurada”.


Participou de algumas reuniões entre elas a da escolha da bandeira e este deve ter sido um debate épico! Imagine, na mesma sala Claudio Manuel, Alvarenga, Padre Toledo e Tiradentes!!! A proposta do Alferes Xavier fora a de um triangulo simbolizando a Santíssima Trindade, o que fora acatado e acertado, porém ainda tinha o dístico que seria colocado na bandeira, e ai se tornou uma discussão literária, Claudio queria que fosse o lema, “Aut Libertas, Aut Nill’’, ou seja, liberdade ou nada! Já Alvarenga ponderou, e citou então uma égloga de Vírgilio, Libertas Quae Sera Tamen, “liberdade ainda que tardia’’, ou “liberdade, ainda que tarde’’! Ficou acertada a bandeira, nela seria representada a Santíssima Trindade em forma de um triangulo na cor verde (esta que foi a bandeira oficial de Minas Gerais por algum tempo) e o lema proposto por Alvarenga.


Claudio era um homem que sofria “de tristeza” e por tal, pouco era visto nas ruas de Villa Rica. Seus poemas expressam sua “tristeza” e versos bucólicos, sofria também de fortes dores reumáticas pelo corpo.


Fora preso no dia 2 de julho de 1789, tirado de sua cama, pois estava convalido pelas dores corporais, logo levado para a Casa dos Contos onde ficou preso debaixo em uma escada. Foi ouvido, e acabou por delatar alguns de seus companheiros, mas como bom advogado, acreditava que a lei e a regra dos cavalheiros iriam ao contexto prevalecer, ledo engano, em um jogo de palavras, acabou incriminando o Governador Visconde de Barbacena e o Contratador Macedo, este que era o dono da casa onde ele estava preso, e isto lhe sairia muito caro.


Foi encontrado enforcado em sua cela, no dia 4 de julho de 1789, os médicos que estiveram no local para fazer o seu atestado de óbito, constataram que ele fora enforcado, sendo utilizado um cordão.


Assim que a noticia do laudo chegou ao Visconde Barbacena ele chamou o médico responsável e logo “lhe fez mudar de ideia”, o médico então mudou o relatório para suicídio.


Partia então, o Dr. Cláudio Manoel da Costa, poeta, advogado e um dos mártires do movimento conjurado de 1789.


Há! A versão oficial é de que Claudio se enforcou, sendo então um suicida prática essa abominada pela Igreja Católica, vale lembrar que Claudio pertencia a Ordem de Cristo e, portanto não poderiam ser rezadas missas em intenção a sua alma...


MAS, OS SINOS TOCARAM, MISSAS FORAM REZADAS, OU SEJA ...

Texto: Comendador Gladstone Lopes

Grão Prior

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